Fora a energia proveniente do espaço (luz, calor,...), a Terra vive em circuito fechado.
Por causa de seus proprios limites, o ecosistema planetário desenvolveu mecanismos de reciclagem de sua materia. A interação equilibrada dos componentes do meio ambiente asseguram esta reciclagem.

O mundo mineral sofre uma transformação lenta pela sedimentação, a erosão, as erupções vulcánicas, os movimentos tectónicos...
A materia organica evolui e se transforma de maneira muita mas rápida. A vida tem uma durabilidade bem inferior ao mineral e produz resíduos.

Convem precisar que o termo “residuo” não tem a conotação pejorativa que costumamos lhe colocar. Estes resíduos são a alimentação da vida, o que lhe confere um valor considerável. O oxigénio produzido pelas plantas é um destes resíduos inegavelmente vital.
É interessante constatar uma diferência fundamental entre o vegetal e o animal. As plantas têm a capacidade de assimilar os elementos químicos presentes nos solos (mineral) para disponibiliza-los para o reino animal sob forma de alimento, ar e agua (certas plantas filtram e limpam a agua). De certa forma, elas são catalizadores solares  na medida que elas usam a energia do sol atravez da luz.

O nojo que sentimos para os dejeitos é emocional e não deve ser tomado em consideração para entender os principios da ecologia planetária. Se nós reabilitássemos nossos resíduos para reintegra-los no circuito, nós teriamos com certeza muito menos problemas. Quantos resíduos orgánicos uma cidade poderia transformar em adubo para produzir os alimentos necessários ! Quantos outros recursos naturais são desperdiçados  no único objetivo de esconder o nosso lixo ? O uso de sanitários secos é um exemplo de grande compreensão ecológica. Tambem mostra as dificuldades de ordem cultural que temos e que certamente limitam uma real reintegração do humano na ecologia planetária.

Estes resíduos estão então perpetuamente usados novamente por todos os organismos presentes no planeta, da bactéria ao ser humano, da árvore ao inseto... Nós precisamos então uns dos outros. O fato de cada um ter seu papel nestes processos complexos não implica uma hierarquia. Nós temos o costume de colocar os grandes predadores no topo da cadeia alimentar, mas basta um elo falhar para que a cadeia toda se quebra. Um grande predador acabará  alimentando seres microscópicos.

Nosso humano-centrismo entrou em conflito com os processos que geram a ecologia planetária. O modo de vida predominante, baseado no consumo, o desperdiço (uma economia nada econômica) e a certeza da superioridade absoluta do ser humano, não pode nos oferecer um desenvolvimento sustentável. A ecologia planetária e nosso sistema econômico e social são profundamente antinômicos.

Para reencontrar um equilibrio num sistema tão complexo, o ser humano deve corrigir certos de seus postulados e adotar um modo de vida compatível com as leis naturais que regem nosso mundo. Não podemos continuar acreditando que nosso crescimento material não tem limites. Ao contrario, um crescimento espiritual pode ser infinito, e isso é a grande força do homo sapiens.






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Ecologia planetária
Não devemos pensar ser superiores ou inferiores aos outros seres do universo, qualquer que sejam.
Tierno Bokar
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