Primeiro, é necessário distinguir a linguagem verbal dos humanos, que permite expressar conceitos e abstrações, da linguagem animal limitada a expressão de sensações (medo, prazer, cólera, fome, dor,...)
O que da linguagem ou do pensamento apareceu primeiro ? É difícil responder a esta pergunta na medida que a formulação de um pensamento é exatamente a prova que temos de sua existência.
Podemos então imaginar que o pensamento e a linguagem provavelmente se desenvolveram simultaneamente, um motivando a outra e reciprocadamente, a linguagem permitindo a elaboração de um pensamento complexo.

Consideramos a linguagem como uma ferramenta facilitando a criação de um pensamento construido. As palavras que temos, a sintaxe e a gramática nos permitem elaborar ideias. Teriamos a possibilidade de pensar sem usar a linguagem ? Falar fluentemente uma lingua estrangeira significa que nós construimos o discurso, que nós pensamos, nesta lingua e não na nossa lingua materna para depois traduzir.

Nossos longíquos ancestrais certamente dispunham de uma linguagem lhes permitindo comunicar suas sensações, como o fazem os animais. Mas o que diferencia o homo sapiens é a possibilidade de designar o que lhes circunda por palavras precisas, compreendidas por seus semelhantes, o que é uma abstração mental da realidade. Uma palavra não é o objeto que ela designa, mas uma representação deste objeto, uma ideia deste objeto. Consideramos o exemplo da palavra “casa”. Todos nós sabemos o que é uma casa, no entanto duas casas podem ser extremamente diferentes uma da outra, o que não impede a compreensão do que se trata. A palavra é a expressão genérica de um objeto, uma classificação de um certo tipo de objeto. Esta classificação é o resultado do pensamento ou, ao contrario, permite o desenvolvimento de um pensamento ? Eu acredito que os dois processos são estreitamente ligados e indissociáveis.

Aparece que o uso das palavras deve seguir regras precisas para ser compreendido. Afinal, a linguagem é um meio de comunicação, seu objetivo é de ser entendida. Se eu empregar a palavra “carro” no lugar de “casa”, é provável que meu discurso seja mal entendido. Da mesma forma, dispondo de pouco material para construir um discurso, este será certamente relativamente pobre. E se este discurso não for formulado de viva voz, ele existirá assim mesmo na forma de pensamento. Quanto mais o repertório será rico, melhor será o desenvolvimento do pensamento.
Toda constução necessita elementos e método de assemblagem. O pensamento precisa de vocabulário (as palavras são os tijolos de nossa construção) e de técnica para aseemblar estes elementos (a gramática). Para realizar uma construção coerente, precisamos tambem seguir regras para que seja funcional. Colocar os sanitários no meio da sala não seria a melhor ideia para ter uma casa funcional. No caso da linguagem, nós temos a sintaxe para arrumar os elementos da frase de maneira adequada.

O uso de todos estes elementos da linguagem (e do pensamento) requer grande rigor que frequentemente esquecemos. Eu sempre me admiro ao constatar erros da parte de pessoas capazes de rigor como por exemplo os programadores informáticos. Programar consiste em comunicar ordens para um computador os executar. Uma virgula no lugar de um ponto, e nada funciona. A maquina não tem a capacidade de adivinhar e corrigir os erros, devemos então nos expressar de forma muito precisa. Por que então esta desinvoltura no uso da linguagem humana ? Basta circular na internet para se dar conta disso.

Na medida que eu acredito que linguagem e pensamento são intimamente ligados, me parece importante ter uma linguagem coerente e rica para ser capaz de raciocinar e consequentemente evoluir.

A aquisição do vocabulário, o dominio da gramática e da sintaxe, depende evidentemente do processo educativo. Resta a saber o que esperamos da educação. Como homo sapiens, acredito que a educação deve ser o aprendizado da reflexão, o desenvolvimento de nossa capacidade a pensar, e consequentemente, a aquisição de uma linguagem rica e precisa.
Mas pensar significa que podemos questionar o consenso, o que pode ser perigoso para quem se beneficia deste consenso. Acredito que isto é a razão da degradação dos sistemas educativos de nossa sociedade. Nossas escolas se esforçam em formar bons consumidores, não seres pensantes, e nesta ótica, a linguagem não é mais um veículo do pensamento. A cultura de massa, divulgada principalmente pela televisão, segue o mesmo principio. A leitura, atividade que usa varias partes de nosso cérebro, é substituida pela ingessão passiva de programas televisuais medíocres.

A maneira de se expressar é característica de nossa classe social. Isto permite uma classificação imediata dos indivíduos, um controle mais eficiente da população. A linguagem usada pelo poder (textos de lei, jargão jurídico,...) é cada vez menos acessivel a todos. A linguagem se torna tambem um instrumento de poder na medida que os conceitos necessários a elaboração da sociedade não podem mais ser discutidos por falta de compreensão.






intro
quem ?
meta
leituras
contatos
A linguagem
A palavra é um fruto cuja casca se chama verbiagem, a carne eloquência e a semente bom senso.
Tierno Bokar
partager