Os valores que fazem do ser humano o que é estão sendo substituidos pelo dinheiro e o poder que ele permite exercer. A solidariedade, a compaixão, o bem, a espiritualidade, a inteligência e outros, não representam muito frente a riqueza material. A vida que deveriamos proteger por ser um mistério longe de ser entendido não vale muito frente as perspectivas de lucros financeiros.

Considerando as carências de nossa organização socio económica, é surpreendente constatar que esta ditadura económica consegue nos fazer acreditar, apesar das evidências, que ela é a única solução possível.
Como o ser humano, que já provou sua inteligência e sua capacidade em resolver os problèmas, pode se deixar enganar por uma ilusão tão devastadora ? Será que não somos mais capazes de refletir numa solução aceitável por todos (isso inclui todas as formas de vida) para nos assegurar um futuro ? Como podemos ainda acreditar que os prazeres imediatos do consumo frenético de bens materiais representem mais desenvolvimento que a procura pela harmonia, a paz e a sabedoria ?

Eu ouso acreditar que ainda somos homo sapiens cujo conhecimento e imaginação podem nos ajudar a vencer uma crise sem precedente na historia do planeta. Ouso pensar que viver no medo de uma violência crescente não é uma fatalidade. Ouso esperar que o ser humano ainda é capaz de reintegrar a natureza da qual ele tanto precisa, e que cada um pode aprender a respeitar o que não é ele proprio.

É possível suprimir a ameaça que pesa sobre nos inventando uma economia na escala do ser humano. Para isso é preciso primeiro desenvolver nossas conciências individuais e vencer nossa avidez destrutora. O papel da sociedade é permitir aos individuos enfrentar as dificuldades da vida, não sacrificar alguns em nome de um bem comum decidido por uma minoria. Devemos redefinir o que são as nossa democracias (se eu sou uma quantia negligenciavel, o que vale o meu voto ?) et o que somos. Será que teremos o tempo de realizar esta revolução interior, se realmente a desejamos ?

A sociedade deve servir o individuo e não o contrario. O bem comum deve ser definido como sendo um compromisso aceitável por todos e não deve mais sacrificar uma parte de nossa comunidade. O homo sapiens deve reencontrar a humildade necessaria frente a incompreensível criação. Pois, quem somos frente à inconcebível imensidão do universo ou ao prodígio da vida ?

“O século XXI será espiritual ou não será”. Nós devemos imperativamente repensar o que somos e qual é nosso papel num mundo que nunca poderemos substituir.






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Redefinir nosso papel
O que inspira a minha espiritualidade é a ligação profunda que sinto com a Natureza, é uma celebração da vida.
Marcelo Gleiser
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